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Entrevista de Adeodato no Observer da Ingalterra
Posted by Savitri Lua in Entrevistas on 16 de dezembro de 2009
Entrevista de Adeodato no Observer da Ingalterra. Fala sobre um dos melhores cafes biodinamicos do planeta, e o trablaho e trajetoria do nosso Adeodato como inspiracao para um nucleo de agricultura sustentavel e responsavel na Chapada Diamantina.
Veja a entrevista em português
Veja a entrevista em inglês
http://www.guardian.co.uk/lifeandstyle/2009/dec/06/biodynamic-coffee-in-brazil
Aproveitem!!!!!!!!!!!
ENTREVISTA DE MANOEL ADEODATO
Posted by Savitri Lua in Entrevistas on 23 de agosto de 2009

Turismo rural ecológico e agricultura familiar baseada na agroecologia: resgatando a cultura camponesa na Chapada Diamantina
Vários projetos e experiências concretas, associando a agricultura familiar e uma prática de turismo de base camponesa, vem crescendo no Brasil com resultados positivos para a população rural. É a redescoberta dos moradores das cidades de que o campo tem muito mais a oferecer do que apenas produtos agrícolas ou hotéis-fazenda. Pequenos produtores rurais, organizados em cooperativas ou associações, ampliam as possibilidades de integração do campo com o meio urbano, segundo uma perspectiva pedagógica e convivencial. Pois a proximidade de formas sustentáveis de produção agrícola, baseada na agroecologia[1], propicia uma sensibilização dos visitantes para questões sócio-ambientais e culturais, unindo o prazer ao aprendizado, a contemplação e a paz interior.
O Caderno Virtual de Turismo visitou a hospedaria camponesa Terra Mater – Turismo Rural Ecológico, na Chapada Diamantina, interior de Bahia. Os coordenadores do projeto são os agricultores familiares, Adeodato Menezes e Telma Ribeiro, que produzem café biodinâmico[2] certificado e pertencem à Associação Biodinâmica dos Agricultores e Agricultoras de Ibicoara (ABDI)[3]. Adeodato nos explicou como surgiu a proposta agroecológica da Terra Mater e da agricultura familiar baseada na agroecologia, destacando a importância do apoio a um turismo de base camponesa para promover um desenvolvimento social, ambiental e cultural de base local
CVT – Como teve início o Projeto Terra Mater e a relação do turismo com a agricultura familiar na região?
Adeodato – A Terra Mater foi um projeto inicial de “comunidade rural alternativa” iniciada em 1975 e na Chapada Diamantina em 1982. Nós tínhamos como proposta a resistência ao modelo de agricultura dominante e ao modo de vida consumista capitalista. Começamos, então, a construir os caminhos da agroecologia e o turismo rural ecológico veio em decorrência dessa proposta. Tínhamos esse espaço e a “comunidade alternativa” não estava mais funcionando enquanto tal. O que deu início à idéia de turismo foram as visitas que recebemos de interessados na construção da agroecologia. Isso nos fez começar esse trabalho e usar o espaço para encontros com agricultores familiares, estudantes de agronomia e de alunos das escolas públicas da região. A gente percebeu que, tendo um espaço grande que era originalmente para a “vivência comunitária”, poderíamos hospedar as pessoas. Mas esse é um turismo da cultura camponesa e do campesinato. A diferença do turismo em geral é que nós queremos mostrar para as pessoas da cidade a “tradição camponesa” e valorizar a produção agrícola baseada na agroecologia. Fazer com que as pessoas passassem a perceber a importância de produzir com ética e responsabilidade. Por isso fazemos questão de construir uma identidade camponesa.
CVT – Como tem sido o encontro entre o meio rural e os turistas urbanos?
Adeodato - Tem sido muito saudável esse encontro nosso com as pessoas da cidade, que são das mais diversas profissões, e que querem ter algum contato mais próximo com a natureza. A realidade é que temos uma infra-estrutura simples. Não temos luxo, temos conforto, tranqüilidade, contemplação, paz interior, comida caseira deliciosa e com alto valor biológico elaborada com consciência em forno e fogão de lenha com alimentos puros da horta e do pomar biodinâmicos, enfim, uma íntima e deliciosa convivência e interação com a natureza viva, com uma agricultura responsável e com a cultura camponesa.
CVT – Qual é a proposta da Associação Biodinâmica dos Agricultores e Agricultoras de Ibicoara ABDI?
Adeodato - A ABDI é uma organização camponesa da Chapada Diamantina, com uma visão crítica do modelo agrícola dominante, formada por agricultores e agricultoras orgânicos e biodinâmicos, que lutam pelo reconhecimento da extraordinária importância da agricultura e da auto-estima da comunidade camponesa. Ao mesmo tempo, busca o cumprimento da responsabilidade política, social, ambiental e cultural da produção agroecológica e sua justa e merecedora viabilidade econômica.
CVT – Como é o turismo ecológico na Chapada Diamantina?
Adeodato - Aqui na Chapada Diamantina acontece o turismo ecológico, o turismo das belezas naturais. Mas acreditamos que o turismo ecológico é muito mais do que só observar as belezas naturais. Queremos ir além disso e manter uma convivência mais próxima com a terra enquanto organismo vivo, com a fauna e flora, com as pessoas do lugar e o modo como elas vivem e entendem o mundo. O resultado que para nós é interessante; valorizamos a convivência e a interação respeitosa. Não tem ninguém até hoje que tenha vindo aqui na Terra Mater e não tenha criado um vínculo de amizade e solidariedade. Mesmo que cheguem mais distantes no início, depois se aproximam e sempre retornam como amigos e amigas. E isso é realmente prazeroso.
CVT – Você conhece outras experiências que fazem um tipo de turismo parecido com a proposta da Terra Mater?
Adeodato - Aqui só nós fazemos esse trabalho de turismo ligado à agroecologia e à convivência camponesa. Mas no Sul e em Minas Gerais também existem experiências de turismo rural. A nossa tem a ver com a construção da agroecologia e da camposenia. Entendendo agroecologia como ciência e princípios norteados para a reconstrução da agricultura de base ecológica, social e cultural, com ética e responsabilidade. E entendendo camposenia como resgate do sentimento, da auto-estima, da cultura, da identidade campesina, do orgulho de ser camponês e camponesa, e seu reconhecimento pela sociedade consciente e responsável das cidades.
CVT – O que seria importante para apoiar essa proposta alternativa de turismo?
Adeodato - Acho que seria importante a ampla divulgação dessa idéia, promover a vinda de mais pessoas da cidade para o campo. Os hotéis fazenda em sua maioria tiveram origem no fracasso na atividade agrícola e tiveram no turismo a oportunidade de se reerguer. Não queremos interromper a produção agrícola para fazer turismo. Queremos vincular o turismo à produção com responsabilidade agroecológica. É uma forma de trazer uma outra renda para o agricultor familiar, apesar dessa forma de turismo ainda carecer de uma freqüência e constância maior.
CVT – Como você vê o papel das políticas públicas nessa proposta?
Adeodato - O PRONAF (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) tem um financiamento para a agroecologia e turismo rural, mas não sei se essas políticas são aproveitadas. Muitas vezes os bancos não facilitam para que a família camponesa acesse o financiamento disponibilizado. O apoio financeiro é importante e a divulgação também, inclusive pela secretaria de turismo local. É importante dar informação para ter público procurando.
FONTE: CADERNO VIRTUAL DE TURISMO (http://www.ivt-rj.net/caderno/)
